Polícia indicia vereador Eduardo Moura por injúria e difamação contra colega Chico Kiko e esposa após gesto de chifre
Vereador do Recife Eduardo Moura (Novo) Reprodução/TV Globo A Polícia Civil indiciou, na segunda-feira (16), o vereador Eduardo Moura (Novo) por agressão à...
Vereador do Recife Eduardo Moura (Novo) Reprodução/TV Globo A Polícia Civil indiciou, na segunda-feira (16), o vereador Eduardo Moura (Novo) por agressão à honra do colega parlamentar Chico Kiko (PSB) e da sua esposa, Maria José da Silva. De acordo com o inquérito policial, ao qual o g1 teve acesso, Moura foi indiciado pelos crimes de injúria qualificada (natureza aviltante) e difamação, "ambos majorados em razão de praticado na presença de várias pessoas e divulgados em redes sociais". ✅ Receba as notícias do g1 PE no WhatsApp O inquérito, assinado pelo delegado Mário de Oliveira Melo Júnior, da Delegacia de Boa Viagem, foi instaurado após Kiko denunciar Moura por ter colocado "chifres" na sua cabeça durante uma sessão na Câmara Municipal do Recife, no dia 10 de fevereiro. Na ocasião, Moura foi filmado fazendo o gesto (veja vídeo abaixo). O momento foi registrado pelo canal de transmissão da plenária no YouTube. Vereador Chico Kiko (PSB) denuncia Eduardo Moura (Novo) por injúria e difamação após gesto de “chifres” Na denúncia, Kiko alega que o gesto é "amplamente entendido" como um ato para chamar alguém de "corno". "Os gestos feriram covardemente sua esposa de 65 anos que é mãe e avó, causando indignação e motivando Chico a acionar a Justiça e representar contra Eduardo Moura no Conselho de Ética da Câmara, podendo levá-lo à perda do mandato", diz uma nota divulgada na data pela assessoria do parlamentar. O inquérito aponta que, "apesar de não citada diretamente, o gesto realizado acaba por imputar fato ofensivo à honra da querelante Maria José Da Silva, uma vez que se na cabeça do seu marido cabe 'chifres', é porque ela o traiu". A investigação também afirma que “a ampla propagação do fato nas redes sociais e na imprensa potencializou exponencialmente o dano à honra objetiva da declarante, atingindo sua reputação", concluindo que as consequências foram um "profundo abalo psicológico, constrangimento, vergonha e humilhação". A polícia afirma, ainda, que Moura "confessou os fatos" e disse ter se retratado "logo após cientificado que o querelante se sentira ofendido, tanto de forma privada, quanto de forma pública". O inquérito diz ainda que o investigado afirmou "categoricamente que não houve dolo, intenção de caluniar ou injuriar", e que, quando soube que o colega havia se sentido ofendido, pediu desculpas pelo WhatsApp e na tribuna da Câmara. Respostas Em nota enviada na madrugada desta terça-feira (17), Eduardo Moura disse que: "não recebeu qualquer comunicado da Polícia Civil de Pernambuco"; "a suposta decisão é completamente diferente do que foi dito pelo delegado de Boa Viagem, que afirmou que os fatos não justificariam um procedimento feito pela delegacia"; está "sendo vítima de perseguição orquestrada pelo prefeito João Campos, na tentativa de manchar sua imagem e descredibilizar as denúncias feitas contra a gestão". Líder do governo na Câmara Municipal, o vereador Samuel Salazar (MDB) negou perseguição política. "Não existe perseguição. O que existe é um fato objetivo: houve uma denúncia apresentada por um parlamentar que se sentiu ofendido em decorrência de uma atitude absurda e desnecessária cometida pelo vereador Eduardo Moura. A denúncia apresentada pelo vereador Chico Kiko é uma decisão pessoal, legítima e amparada pelo direito de qualquer pessoa que se sinta ofendida", disse Samuel Salazar em nota. Ainda no texto, o líder do governo na Câmara afirmou que: "está se tentando criar uma narrativa de inversão dos fatos: o vereador Eduardo Moura está tentando se vitimizar, quando, na verdade, ele é o ofensor"; sobre o processo instaurado na Comissão de Ética, trata-se "de um procedimento interno da Câmara Municipal do Recife, iniciado a partir de denúncia formal e conduzido dentro das regras regimentais da Casa José Mariano"; "é preciso trazer clareza aos fatos para que não se confunda a atuação institucional da Comissão de Ética com qualquer narrativa de eventual perseguição". Entenda o caso No vídeo em questão, o vereador Samuel Salazar (MDB) aparece discursando, no dia 10 de fevereiro, enquanto Moura, ao fundo, faz gestos de discordância. Em seguida, Chico Kiko se posiciona ao lado de Samuel Salazar, tentando “tampar” os gestos feitos pelo colega, que passa a fazer o sinal de “chifres” acima da cabeça do parlamentar. Kiko registrou um boletim de ocorrência no dia seguinte, na Delegacia do Cordeiro, na Zona Oeste do Recife. Na mesma data, Moura divulgou uma nota em que diz que não teve a intenção de ofender Chico Kiko. Segundo ele, o gesto foi “infeliz e inadequado para o mandato e para a Casa José Mariano”. O texto diz ainda que o vereador pediu oficialmente desculpas a Chico Kiko, aos familiares dele e a qualquer pessoa que tenha se sentido ofendida pelo gesto. Ele também pediu desculpas ao povo recifense e afirmou que essa não deve ser a postura de um parlamentar. Moura denuncia Kiko No dia 23 de fevereiro, 12 dias depois do episódio dos chifres, Moura denunciou Kiko por ameaça de morte. Em pronunciamento na Câmara, Moura disse que Kiko afirmou, na frente de outros vereadores, que 'daria um tiro nele'. "Fiquei sabendo dois dias depois que, ao me ausentar dessa plenária, fui ameaçado de morte pelo vereador Chico Kiko no gabinete especial conhecido como buraco frio e também em várias dependências desta Casa, com dizeres como: 'vou dar um tiro nele', 'vou matá-lo'", disse, na ocasião. Moura registrou boletim de ocorrência e protocolou denúncia no Ministério Público de Pernambuco (MPPE). Procurado pelo g1 na época, Chico Kiko disse que não havia sido notificado. "Se realmente falei o que o citado vereador alega, cabe a ele apresentar as provas", afirmou em nota. VÍDEOS: mais vistos de Pernambuco nos últimos 7 dias